Uma lástima. Sem sentido. O fim. Mas ainda há amor.

O que me entristece é a cegueira egoísta, a indignação seletiva e as atitudes imoralmente criminosas que, em poucas horas, conseguem destruir anos de história com pedidos insanos, reivindicações rasas e gritos de guerra que beiram a loucura. Uma lástima.

É a falência do espírito que me faz navegar, tortuoso, da pontinha de tristeza ao profundo desaponto. Sem sentido.

E assim, sem percebermos, incendiamos mais do que uma carta, um livro, uma vitória ou a memória dos tantos que por nós viveram e morreram, mas aquilo que nos ainda resta de sociedade. De humanidade.

Sou um otimista nato. Mas confesso que dias como este domingo conseguem me consumir de tal forma, que chego a perder a fé em nós seres humanos. Em mim mesmo. O fim.

“Mergulhamos em uma crise axiológica tão profunda que a própria crise não é mais vista e, na busca de uma saída, cavamos, dia a dia, cada vez mais, o fundo do poço que insistimos em chamar de vida.” – escrevi um tempo atrás.

Mas ainda há amor.
E há mais ainda quem precise dele.

É, pensando bem, já estamos em um novo dia. Amanhã? É. Amanhã será um ótimo dia para fazer a diferença. Felizes, tristes… Amanhã é o dia. E isto não é uma escolha: é nosso dever moral.

O mundo às avessas.

O mundo às avessas.

Redução da maioridade penal como solução para o problema da violência, como se a nossa cadeia não fosse um MBA em criminologia.

Se depender da classe média tradicional, em breve no Brasil, a criança filha de pobre já nasce presa em flagrante delito por lesão corporal grave. E gritam bravo!

Se for for filho de rico não, claro. Abafa-se o caso, dá um jeitinho ou, no mínimo, vamos aguardar o julgamento, as provas: vai ter que aparecer no ultrassom mostrando o momento do chute na barriga.

E ainda há o que não vai entender o meu post.
É o mundo às avessas.

Proibido abortar. Permitido matar.

Passamos a ter um problema de saúde pública quando este problema ocorre em quantidades alarmantes e causam impacto na saúde da população.

2013 mostra dados estimados de que 200 mil mulheres foram internadas na rede pública por complicações decorrentes do fim de uma gestação e que 860 mil procedimentos ilegais foram realizados, sendo a quinta causa de morte materna. A cada dois dias, uma brasileira pobre morre por aborto inseguro.

Sim, em nome da “vida” e da “moral”, se mata e se criminaliza. E quem mais sofre com isso é a população pobre, que depende do sistema público de saúde, pois o rico, quando precisa, este viaja meio mundo, faz, volta e muitas vezes continua a luta contra.

O Uruguai, para citar um exemplo, descriminalizou o aborto em 2012, e como resultado reduziu para ZERO as mortes decorrentes deste procedimento. E mais: reduziu de 30 mil para 4 mil o número de interrupções de gestação. Sim: ninguém saiu abortando feito louco como alguns andam dizendo por aí que vai acontecer.

Sou a favor da vida. Acredito (mas tem coisas que só sabemos na hora) que não realizaria ou iria propor um aborto a ninguém. Mas sou totalmente contra criminalizar, dentro de limites claros, apenas por crença, gosto ou aparência. As pessoas vão abortar, que gostemos ou não. E muita gente ainda vai morrer por conta disso.

Isto não é só egoísmo: é hipocrisia e perversidade.

Vamos refletir.

A escola como destruidora de mentes criativas

Professores e gestores devem cultivar espaços em que a imaginação seja livre para trabalhar. Eles não devem penalizar erros, mas valorizá-los como sendo parte do processo criativo. Para fomentar a criatividade, as escolas devem trabalhar para promover o pensamento divergente e a colaboração entre os alunos.

O que temos hoje? Uma escola que destrói, dia a dia, a capacidade criativa e imaginativa que toda criança esbanja quando pequena. E o pior de tudo é que nem a desculpa da “garantia do diploma e do emprego” é mais válida, visto que, nem de longe, escolas (que já não faziam isso, só garantiam a passagem no vestibular) e faculdades conseguem mais o “brinde” para boa parte dos cursos que oferecem.

Se seu filho, irmão, ou conhecido não anda com interesse na matéria, ou está com o tão na moda termo “déficit de atenção/aprendizagem”, desconfie: é muito mais fácil o problema estar na escola, ou na matéria.

Cultura, atitude, imaginação, conhecimento, habitat e, claro, recursos. Está tudo conectado. É o que precisamos. Quem já oferece isso, ou parte? Apenas creches ou alguns grupos de estudos “especiais”.

Especialistas no mundo todo são unânimes em criticar este sistema educacional, que foi baseado na sociedade industrial. Comparemos a escola com uma fábrica. É igual! Mas alunos não são produtos.

A coisa é tão feia que a indústria escola divide os alunos em lotes. Isto é um absurdo. Nosso sistema educacional foi concebido sob a cultura intelectual do iluminismo no mesmo período da revolução industrial. A educação pública surgiu após o século 18, adotando um pensamento acadêmico específico. Ou você é inteligente, ou não, sob certos preceitos. E é aí que o mal acontece: pessoas brilhantes pensam que não o são, apenas por não se “enquadrarem” neste modelo que algumas outras se enquadram.

Todos os países sérios estão no momento reformando seu sistema educacional.

Não são críticas soltas, sem fim, apenas para alfinetar alguém, mas uma triste realidade que precisa ser enfrentada. Como realizar essa revolução em nosso sistema de ensino? A caminhada é longa, mas como educador (assim permito me chamar) sei que minhas pernas aguentam.

Sobre TDAH

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção? http://equilibrando.me/2013/05/16/por-que-as-criancas-francesas-nao-tem-deficit-de-atencao/

Pai do transtorno de déficit de atenção declara-se mentiroso http://portugalmundial.com/2014/01/pai-do-transtorno-de-deficit-de-atencao-declara-se-mentiroso/

Violência de dentro para fora

Me revolto com a violência que estamos vivendo. Me revolto com a cara de pau dos bandidos cada vez mais ousados e com menos escrúpulos. As vezes assisto ao noticiário perplexo com tanta atrocidade. Mas daí a eu desejar a morte, rir e vibrar com tiros na cabeça do outro há uma distância abissal.

Não estaríamos nos tornando tão ruins quanto quem estamos condenando? Quais os verdadeiros motivos dessa violência desenfreada? Quem são os verdadeiros culpados? Não seriam estes que mereciam a maior punição? Será que se a violência não tivesse chegado na “Aldeota”, estaríamos preocupados com ela? Mesmo ela sempre tendo existido em outras localidades? Quanto de seres humanos ainda nos resta ao desejarmos a morte de outro ser humano de maneira tão fria? Devemos todos ser cidadãos, policiais, juízes e assassinos? Será que estamos fazendo jus apenas do polegar opositor ou ainda temos algo de belo e racional? É legítima a defesa? E o ataque? Gostaríamos de uma solução para todos ou apenas a manutenção de privilégios de alguns?

Diante de tantas dúvidas, uma certeza: se lutamos pela paz, não deveríamos fazer isso desejando a morte.

2014 e meu voto canhoto para a Presidência da República

É de fácil identificação a indignação da classe média mais abastarda (e as que pensam que são) com a possibilidade da vitória da Dilma por causa principalmente do Bolsa Família, das Cotas e do Mais Médicos.

O aldeotino anseia por um concurso, em ser Juíz, em ser médico. É estranho ver um grupo que vive bem tão incomodado. Talvez seja por se visualizar perdendo o poder de barganha na negociação com o miserável, o status quo.

Creche modelo, escola particular, reforço escolar, psicólogo e muitos outros recursos (que por sinal são pagos com dinheiro de outrém) não são necessários para que haja compreensão de que a tão defendida “meritocracia” é uma falácia, e que, mesmo com todos estes programas, suas posições já estão diferenciadas, superiores.

Não sou petista. No primeiro turno não votei na Dilma. Mas todos os argumentos, e quero frisar que foram muito poucos, para votar no Aécio nem de longe me fazem isto cogitar.

Continuo na luta, e na busca, por um sistema de governo que realmente tenha como total e irrestrito objetivo os anseios da sociedade como um todo. Mas isto não é uma realidade, e nenhum dos candidatos dará isso. Mas tem um que pode fazer nossa lenta caminhada ser perdida.

Já falei e repito: vou de Dilma neste segundo tudo, não pelo PT, nem tanto por candidata, mas pela certeza de que é o que melhor termos neste momento. Prefiro votar na Dilma, favorecendo sua vitória, e ter ela e o PT como adversários (sim, fazendo pressão e oposição), do que tentar algo com o PSDB, o que seria, na mais perfeita definição do termo, uma insanidade.

Isto, amigos, é a maior certeza que eu tenho. Posso estar errado, não sou perfeito, e me permito mudar de opinião. Mas não faço por ódio, ou por motivo fútil. Analiso os dados e sigo o meu coração.